Expediente
  • AnoI
  • EdiçãoNº 001
  • PraçaJoão Pessoa
Irapuan Sobral Filho
Advogado · Escritor
Dramaturgo · Compositor
Parahyba do Norte

Ramos & Rosas

folha de letras, de leis e de lembranças
O Tempo
João Pessoa
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Caderno · Teatro

Duas peças, dois Brasis

Uma sobre o que o retirante carrega quando parte. Outra sobre o que o país faz quando dois carros se batem numa esquina.

A Quartinhapeça em vídeo

O que cabe numa quartinha

A Quartinha. Peça integral, no canal do autor.

A Quartinha é uma peça sobre a migração nordestina, mas não apenas sobre ela. É, sobretudo, uma peça acerca daquilo que o retirante tenta transportar quando parte.

A língua, a fé, a memória, os mortos, os costumes e até o gosto da água. Tudo isso se concentra num objeto doméstico e humilde — a quartinha — que deixa de ser simples utensílio para se tornar o coração simbólico da narrativa.

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O Pino — Barroada2025

Um país inteiro julgando uma batida de trânsito

Em uma rua de João Pessoa, um taxista chamado Brasil tem o carro batido por um automóvel de luxo dirigido por um senhor idoso, Justinus. O choque desperta a indignação de Brasil, que recorre a apelos populares e às sugestões de uma plateia improvisada.

Gente do povo, multidão, massas — todos opinam sobre como tirar proveito da situação: processar, chantagear, usar as redes sociais, conseguir um jeitinho conveniente. Entra em cena Leiro, irmão de Brasil, com postura truculenta e soluções na base do “eu resolvo com ou sem recibo”.

A peça se desenvolve em rodadas de conversas de pitaqueiros em torno dos carros batidos: sobre o conserto, sobre como se aproveitar, sobre como é o Brasil, sobre a solução final e sobre a contradição dos próprios pitaqueiros.

No clímax, Justinus retorna serenamente e assume a culpa. Impõe reparos, paga despesas, coloca meninos para estudar, mostra generosidade e uma impossível autoridade institucional. O povo, que instigou o caos, se cala e se contradiz.

No desfecho surge uma espécie de conselho dos intelectuais: vozes como Darcy, Florestan, Freyre, Bomfim, Faoro, Furtado e Buarque pronunciam críticas profundas sobre as contradições do país — o patrimonialismo, o conformismo, a desigualdade, a gentileza racista, o povo ensinado a se odiar, o Estado colonizado e a riqueza que circula em círculos.

E, em pé, Brasil conclui que a história não acabou e que ele mesmo precisa voltar a escrevê-la.

Vamos continuar apenas assistindo o espetáculo da indiferença, ou vamos voltar a reescrever a história?

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