- AnoI
- EdiçãoNº 001
- PraçaJoão Pessoa
Advogado · Escritor
Dramaturgo · Compositor
Da tribuna
Discursos e saudações. A mesma língua telúrica da coluna, dita em voz alta diante de um plenário.
Saudação a uma Cidadã Paraibana
Sessão solene. Discurso em homenagem à concessão do título de Cidadã Paraibana a Iris Catarina Dias Teixeira.
O discurso responde a uma pergunta simples e difícil: o que é ser paraibano. E responde recusando a resposta jurídica. A cidadania pode até se expressar na lei, diz o orador, mas não nasce dela.
Ela é telúrica — vem do chão, da poeira, do sal, da memória. E é, acima de tudo, ontológica: não se concede. Por isso a homenageada não deve receber o título como quem chega, mas como quem apenas ouviu em voz alta aquilo que a vida já vinha dizendo em silêncio.
O texto convoca a genealogia feminina da Paraíba — Branca Dias, Anayde Beiriz, Margarida, Violeta — e a atravessa com Elba Ramalho, Cátia de França, Marinez e Zabé da Loca. Traz também, da ribeira do Piranhas, uma figura da terra natal do autor.
E encerra com uma inversão: não é a homenageada que passa a ser da Paraíba; é a Paraíba que já era dela e hoje apenas se declara.
Leis de cidadania não têm cláusula de revogação. Elas apenas acumulam pertencimentos, como quem junta rios até fazer mar. Assembleia Legislativa da Paraíba
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